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sexta-feira, outubro 17, 2008

Outra vez o ponto fixo do coseno...

Se vos pusessem a questão:
Justifique que para todo o x0 em IR a sucessão
xk+1=cos xk converge... como responderiam?

Há quem não aceite a resposta:
"Ao fim de duas iterações estamos sempre em [cos 1, 1] e nesse intervalo a função f(x)=cos x é uma contracção. O teorema do ponto fixo de Banach (ou princípio da contracção) garante a convergência da sucessão a partir daqui"

Outra hipotese seria justificar que
y0=x2
yk+1=cos yk
converge pelo teorema do ponto fixo de Banach...

Contestem-me... dêm-me a vossa opinião.
Quem quiser ser tremendamente rigoroso ... será que conseguia resolver isto sem recorrer a derivadas ou ao teorema de Bolzano?

quarta-feira, março 05, 2008

Pesadelos com aplicações lineares.

Seja F um espaço linear normado completo, e f uma aplicação linear.
Então se fizermos h->0
|f(x+h)-f(x)|=|f(x)+f(h)-f(x)|=|f(h)|.
Como f é linear, h->0 implica |f(h)|->0.

Será isto sempre verdade?
Bem... se fosse, não faria sentido definirem-se dois espaços duais: O espaço dual algébrico e o espaço dual contínuo!
Por outras palavras: existem aplicações lineares que não são contínuas.
No ano passado houve uma prof no mestrado que me atira à cara:
"ah.. não pode aplicar teoremas da álgebra aqui".
O mal destes profs é que não justificam convenientemente o que dizem.
Simplesmente porque recorrendo a teoremas de álgebra garanti a existência de aplicações lineares que eram necessárias.
Por acaso continuo a achar que naqueles espaços as aplicações lineares são contínuas e que não tinha mais nada a justificar.

Será que eu preciso de professores assim?
Bolas é necessário torturar assim as pessoas? Se uma pessoa não sabe, que tal tentar fazer a pessoa chegar à resposta, tipo... mostrando o caminho!
Bom... agora vem o momento em que me pedem o exemplo de uma aplicação que seja linear mas não seja contínua.
Vão à wikipédia:
Discontinuous Linear Maps

quarta-feira, novembro 14, 2007

Como virar uma superfície esférica do avesso sem vincar?

Vejam aqui
Quem não estiver interessado em detalhes ... pode ver aqui.

sábado, outubro 13, 2007

Cálculo Diferencial (I).

Concordo que este blog tem andado um bocado abandonado.
Nos próximos tempos vou tentar redimir-me.
Hoje vou divagar um pouco sobre o cálculo, mas mais específicamente sobre o cálculo diferencial.
Quando entre os séculos XVII e XVIII Newton e Leibnitz criaram o cálculo diferencial ele não tinha muito a ver com o cálculo que conhecemos hoje.
Aliás, as coisas ao que parece nem estavam muito bem definidas.
Hoje em dia, ambos os pontos de vista de Newton e de Leibnitz têm lugar no grandioso mundo da Matemática, mas a simplicidade de qualquer um deles requer uma boa base de conhecimentos. O ponto de vista de Newton é aquele que os alunos aprendem no ensino secundário e nos primeiros anos da Licenciatura. O ponto de vista de Leibnitz... esse, bom. Há quem diga que sempre foi utilizado por físicos e engenheiros que não se importam com o "excessivo" rigor dos matemáticos. Eu não estou aqui para alimentar esse tipo de discussões.
Mas recentemente, nos últimos dois anos, andei a ler um livro de "Análise não standart" onde, tudo é bem rigoroso, e é construído por forma a que essas coisas "sem rigor" passam a fazer todo o sentido. Duvido que Leibnitz alguma vez tenha chegado a pensar no cálculo daquela forma, mas que as ideias dele estiveram próximas daquilo, isso eu não duvido.
Por outro lado, o cálculo de Newton, que está na raiz do cálculo ensinado nas licenciaturas actuais, foi generalizado em várias direcções. Cruzei-me recentemente com uma dessas direcções: com o cálculo diferencial em espaços de Banach. No fundo é uma generalização do cálculo em IRN, e que supostamente eu devia conhecer da licenciatura. Na verdade não é bem assim, mas não é nada que não se aprenda, e com muito gosto. Mas ojavascript:void(0)
Publicar mensagem grande problema das generalizações, é que se perde sempre qualquer coisa. E neste caso isso não deixa de ser verdade. A abstracção passa a ser muito maior e por vezes não é bem claro o que se passa. Espero que isso passe com o tempo.
Eventualmente, num próximo post, exporei alguns assuntos associados tanto ao cálculo em espaços de Banach como a análise não standart. Até lá, fiquem bem!

segunda-feira, agosto 27, 2007

Á procura de bases em espaços lineares estranhos... (parte I)

Recentemente, no mestrado deparei com os espaços que se seguem.
Numa das cadeiras (Elementos Finitos e Aplicações) as bases nem foram dadas, e tive de as deduzir eu... Tive um trabalho muito maior do que aquele que aqui apresento.

O espaço das funções contínuas afins por troços num intervalo.


Graficamente, são funções com o aspecto da figura que se segue.
Só a título de curiosidade, note-se que neste espaço estão todas as funções afins (funções do tipo
f(x)=ax+b
)
logo, é um espaço "grande".

Primeira tentativa

A primeira coisa que fiz, foi o que qualquer aluno de álgebra linear de 1º ano de uma licenciatura pré-bolonhesa faria: tentar obter uma expressão geral para os elementos daquele espaço, e a partir daí deduzir uma base.
Tive sorte. Tive sucesso à primeira tentativa.

Há uma forma mais simples e mais rápida de deduzir as bases destes espaços, principalmente se impusermos condições "de fronteira". Neste momento não a posso escrever por problemas de ordem técnica (Nem tenho um scanner por perto...)

quarta-feira, agosto 16, 2006

A importancia do teorema do valor médio de Lagrange

Todos conhecemos teoremas de valores médios. Como os teoremas de Bolzano, de Rolle, de Lagrange, de Cauchy.
Ok, para quem não está a ver o teorema de Bolzano como um teorema de valor médio, que o enuncie assim:

Se f é contínua em [a,b] então existe pelo menos um ponto c em [a,b] tal que:
f(c) pertence a [min{f(a),f(b)};max{f(a),f(b)}]

O teorema de Lagrange em particular tem generalizações em espaços de dimensão N e é está na base da demonstração do teorema/fórmula de Taylor, do teorema de Cauchy (que não são mais do que generalizações do teorema de Lagrange) e o teorema de Cauchy pode ser utilizado por exemplo para demonstrar as famosas regras de L'Hopital e de Cauchy.
Alem do mais, este teorema tem um corolário importante no estudo da monotonia e extremos de funções, e pode ser utilizado para demonstrar o teorema do valor médio para integrais, importante em várias áreas .

Por isto mesmo considero o Teorema do valor médio de Lagrange que (espero que) ainda é ensinado em todas as licenciaturas com cadeiras de Análise Matemática um dos mais importantes em Análise (Mesmo que não passe de um caso particular do teorema de Cauchy... que pode ser demonstrado a partir do Teorema de Lagrange)
Claro que fica mal não o enunciar aqui... por isso cá vai:

Se f é uma função contínua em [a,b] e diferenciável em ]a,b[ então existe pelo menos um ponto c em ]a,b[ tal que:

f'(c)=f(b)-f(a)
b-a


Geometricamente, significa que existe um ponto c em ]a,b[ onde passa uma tangente paralela à secante (que passa pelos pontos (a,f(a)) e (b,f(b)) ).

sábado, abril 22, 2006

Representação matricial de quaterniões.

Num post anterior neste blog, mostrei que, uma vez que o produto por um número complexo fixo é uma aplicação linear, se considerarmos a correspondente aplicação em R2, a matriz da aplicação é única para cada número complexo fixo.
Mais ainda, a aplicação φ que a cada complexo faz corresponder a sua Matriz é um isomorfismo entre o corpo C dos complexos e φ(C) (com a adição e produto de matrizes).

Pois bem, o mesmo se passa no conjunto dos quaterniões de Hamilton, se considerarmos o isomorfismo canónico entre H e C2 mas uma vez que o produto de quaterniões não é comutativo, teremos dois isomorfismos, um para o produto à direita e outro para o produto à esquerda.

O processo pode repetir-se para os octoniões e assim sucessivamente, mas temos de tomar cuidados extra pois estaremos a trabalhar com produtos não comutativos, e o próprio produto matricial tem de ser investigado...